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Copom decide aumentar taxa Selic para 13,25%; entenda os motivos

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciou nesta quarta (15) o aumento da taxa Selic de 12.75% para 13,25%.
Economia
Marco Antônio Lopes Marco Antônio Lopes
Copom aumenta taxa Selic para 13,25% e sinaliza nova alta; veja os motivos
Copom: comitê decide por elevar taxa. Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciou nesta quarta (15) o aumento da taxa Selic de 12.75% para 13,25%. A elevação de 0,5 ponto percentual, no quarto encontro do comitê do BC em 2022, era esperada pelo mercado. O comunicado indica que o comitê terá novo aumento na próxima reunião.

A decisão desta quarta foi unânime e teve como motivação a escalada de preços. “Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude. A crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, diz o comunicado.

O Copom previu um novo ajuste da taxa básica de juros, Selic, de 0,50 ponto porcentual, para a próxima reunião. Para o comitê, a medida deve ser apropriada para que o ciclo de aperto monetário continue avançando “significativamente em território ainda mais contracionista”, levando em conta suas projeções e o risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos.

No texto, o BC dá um sinal sobre o aumento artificial do preço dos combustíveis e os recentes projetos do governo e do Congresso para limitar o teto do ICMS, para diminuir a gasolina e o diesel. “Avaliou-se que as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária. As projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião.”

Inflação e fatores de risco

Diz ainda o Copom: “O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco:

  • uma maior persistência das pressões inflacionárias globais;
  • a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporadas nas expectativas de inflação e nos preços de ativos.
  • Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local; e (ii) uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada.”

O Banco Central atualizou suas projeções para a inflação no País, inclusive com a previsão para 2024, mas alertou que as novas estimativas não consideram “o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação”.

“O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião”, alertou, endurecendo o tom ante o Copom de maio.

No cenário de referência, que utiliza câmbio variando conforme a Paridade do Poder de Compra (PPC) e juros do Relatório de Mercado Focus, o BC alterou a projeção do IPCA de 2022 de 7,3% para 8,8%. No caso de 2023, foco da política monetária atualmente, subiu de 3,4% para 4,0%. Dessa vez, mesmo que ainda esteja fora do horizonte relevante, o BC também trouxe a sua projeção para 2024, que está em 2,7%.

A mediana da pesquisa Focus para a taxa Selic usada pelo BC no cenário de referência foi de 13,25% no fim de 2022, de 10,00% no encerramento de 2023 e de 7,50% no final de 2024.

Essas estimativas não eram conhecidas pelo público em geral, porque, devido à greve dos servidores, o BC não divulgou a atualização da Focus com as estimativas referentes à semana passada. O Copom ainda citou no comunicado as medianas da Focus para o IPCA de 2022, 2023 e 2024, em torno de 8,5% e 4,7% e 3,25%. Na atualização parcial da Focus na semana passada, as estimativas para 2022 e 2023 estavam em 8,89% e 4,39%, nessa ordem.

Embora aquém das expectativas do mercado, as projeções do Copom para a inflação se afastaram mais da meta para 2023, horizonte relevante da política monetária. O alvo central é de 3,25%, com limite superior de 4,75%. Para este ano, o comitê continua a projetar novo descumprimento do seu objetivo principal, uma vez que a expectativa é superior ao teto da meta (5,00%). Já para 2024, a projeção do BC está abaixo do alvo central, de 3,00%. No último Relatório Trimestral de Inflação, a estimativa era de 2,3%.

No cenário de referência, a autarquia ainda atualizou as projeções para os preços administrados, de alta de 6,4% para 7,00% em 2022. Para 2023, a estimativa passou de 5,7% para 6,3%. Para 2024, a projeção é de 3,3%

Neste cenário, o BC considera ainda a hipótese de bandeira tarifária “amarela” nas contas de luz em dezembro de 2022, 2023 e 2024 e que o barril de petróleo segue a curva futura, terminando 2022 em US$ 110/barril, e depois passa a aumentar 2% ao ano.

Selic: maior patamar em cinco anos e meio

Apesar da inflação persistente, o Copom cumpriu o prometido e puxou o freio no ritmo de alta da Selic. Com a elevação a 13,25%, a Selic alcançou o maior patamar em cinco anos e meio, desde janeiro de 2017 (13,75%). Foi a 11ª primeira alta consecutiva neste ciclo de aperto monetário, que já é o mais longo da história do Copom. Desde o primeiro aumento, em março de 2021, quando a Selic estava na mínima de 2%, a taxa já subiu 11,25 pontos porcentuais, o maior choque de juros desde 1999.

A decisão foi tomada horas depois de o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, também preocupado com as pressões sobre os preços, elevar a taxa básica de juros para o intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano, a mais elevada desde março de 2020, no início da pandemia, quando estava entre 1% e 1,25%.

Na economia americana ou aqui, um aumento dos juros encare o crédito e o custo da dívida pública. Com um financiamento mais caro, empresas podem também passar a investir menos, impactando negativamente o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda.

Além disso, juros mais altos nos EUA elevam a atratividade de se investir na segura renda fixa norte-americana, o que tende a aumentar o ingresso de recursos na maior economia do mundo e, consequentemente, valorizar o dólar frente a outras moedas.

Aqui no Brasil, a decisão do Copom era plenamente esperada pelo mercado financeiro, já que o BC sinalizou, após subir a Selic em 1 pp no Copom de maio, que avaliava “como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude” para a reunião deste mês.

De 50 instituições financeiras consultadas pelo Projeções Broadcast, 46 esperavam alta de 0,50pp dos juros básicos, para 13,25%. Três casas estimavam aumento de 0,75pp, a 13,50%, enquanto uma projetava a manutenção do ritmo de aperto monetário de maio, de 1,00 pp, para 13,75%.

Em fevereiro, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, avaliou que a inflação brasileira deveria atingir seu pico entre abril e maio, começando a desacelerar nos meses seguintes.

A inflação oficial do País, o IPCA, ficou em 0,47% em maio, com desaceleração na comparação com o mês anterior. Mesmo assim, acumulou um aumento de 11,73% em doze meses.

Em 2022, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. O mercado financeiro e o BC, porém, já preveem a inflação de quase 8,89% em todo este ano. Se confirmado, será o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação.

O BC já está calibrando a taxa Selic para atingir a meta de inflação do ano que vem, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a um ano e meio para terem impacto pleno na economia. Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Juro real

Com o novo aumento da Selic, o Brasil continua a ter a maior taxa de juro real (descontada a inflação) do mundo, em uma lista com 40 economias. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 8,10% ao ano.

Em segundo lugar na lista que considera economias mais relevantes, aparece o México (4,48%), seguido da Colômbia (4,47%). A média dos 40 países avaliados é de -1,70%.

Indicadores de atividade no País indicam crescimento acima do que era esperado por Copom

Os dados sobre a atividade econômica brasileira apresentaram um fôlego maior do que o esperado pelo Copom desde a reunião passada, de maio. Ao mesmo tempo, os preços continuaram avançando e, mais do que isso, seguiram voláteis e disseminados. Estas avaliações fazem parte do comunicado da cúpula do Banco Central, que decidiu elevar a taxa básica de juros para 13,25% ao ano.

“Em relação à atividade econômica brasileira, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião do Copom indica um crescimento acima do que era esperado pelo Comitê”, escreveu o colegiado na nota. “A inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente, tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente”, continuaram, acrescentando que as diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação.

BC: Incerteza em torno de projeções cresceu desde a última reunião

O Copom explicou que a decisão de aumentar a taxa básica de juros reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância “ainda maior do que a usual” para a inflação prospectiva. O colegiado ressaltou que a magnitude escolhida é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, escreveu a cúpula da instituição em comunicado que se seguiu à decisão.

Novamente, o Copom apontou dois riscos de alta para a inflação e as expectativas e dois pontos de baixa. Entre os que pressionam os preços estão uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada, que estão apenas parcialmente incorporadas nas expectativas de inflação e nos preços de ativos.

Já entre as possibilidades de baixa, o colegiado ressaltou uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local. Também citou a possibilidade de ocorrer uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada. “Avaliou-se que as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária”, enfatizou o colegiado, acrescentando que avalia que a conjuntura particularmente incerta e volátil requer “serenidade na avaliação dos riscos”.

Veja o comunicado do Copom na íntegra:

Em sua 247ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13,25% a.a.

A atualização do cenário do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O ambiente externo seguiu se deteriorando, marcado por revisões negativas para o crescimento global prospectivo em um ambiente de fortes e persistentes pressões inflacionárias. O aperto das condições financeiras motivado pela reprecificação da política monetária nos países avançados, assim como pelo aumento da aversão a risco, eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, particularmente nos países emergentes;

Em relação à atividade econômica brasileira, o conjunto dos indicadores divulgado desde a última reunião do Copom indica um crescimento acima do que era esperado pelo Comitê;

A inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente, tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente;

As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;

As expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 8,5%, 4,7% e 3,25%, respectivamente; e

No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de USD/BRL 4,90*, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). Esse cenário supõe trajetória de juros que termina 2022 em 13,25% a.a., reduz-se para 10,0% em 2023 e 7,50% em 2024. Optou-se por manter a premissa de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses, terminando o ano em US$110/barril, e passa a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2022, de 2023 e de 2024. Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 8,8% para 2022, 4,0% para 2023 e 2,7% para 2024. As projeções para a inflação de preços administrados são de 7,0% para 2022, 6,3% para 2023 e 3,3% para 2024. As projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião.

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e (ii) a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporadas nas expectativas de inflação e nos preços de ativos. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local; e (ii) uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada. Avaliou-se que as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária. O Comitê avalia que a conjuntura particularmente incerta e volátil requer serenidade na avaliação dos riscos.

Considerando os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 13,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude. O Comitê nota que a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza e Renato Dias de Brito Gomes.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Principal instrumento para o controle da inflação, a Selic continua em ciclo de alta, depois de passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegou a 6,5% ao ano, em março de 2018.

Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até chegar ao menor nível da história, em agosto de 2020, em 2% ao ano. O Copom começou a subir novamente em março do ano passado, tendo subido 10,75 pontos percentuais até agora.

Analistas repercutem o Copom: “Ajustes a partir de agora serão mais pontuais”

Carlos Vaz, CEO e fundador da Conti Capital, comenta: “Acredito que uma taxa Selic acima de 13% não se sustenta por muito tempo e pode subir muito o risco Brasil, que orienta investidores estrangeiros para negociar ou não no País, de acordo com sua capacidade de honrar, pontual e integralmente, os pagamentos de sua dívida. Então, se isso acontecer, o Brasil corre risco de ver o capital estrangeiro migrar para países nos quais o ambiente é mais estável e menos impactado pelas incertezas geopolíticas e econômicas.”

João Beck, economista e sócio da BRA, analisa: “Imaginar que a taxa Selic fosse chegar próxima de 14% era impossível há um semestre. Mas estamos chegando perto e graças ao ciclo de commodities mais favorável e a reabertura da economia não passamos por uma recessão. Novas incertezas surgiram no arcabouço fiscal, um perigo que ficou adormecido durante meses. A redução temporária de impostos incidentes sobre os combustíveis pode levar a um efeito ‘rebote’ desancorando as expectativas de inflação para 2023.”

Fabio Louzada, economista, analista CNPI e fundador da escola Eu Me Banco, fala sobre o impacto da inflação no Copom: “A inflação continua persistente. E a forma de conter preços ainda é manter as taxas de juros altas porque freia a demanda e o consumo. Dificilmente vai bancar o fim do aperto pensando na inflação alta. Se a inflação está alta e os juros nos EUA subindo, acredito que no Brasil devemos fechar o ciclo de alta em cerca de 14%.”

Louzada adiciona, mencionando investimentos: “Nesse momento de inflação alta e juros subindo, investimentos pós-fixados como LCIs, CDBs e Tesouro Selic são os mais indicados. Como o comunicado do Copom deve trazer informação de que essa não será a última alta do ciclo, esses investimentos caem bem como reserva de emergência. Recomendo ativos de até 2 anos com liquidez diária e retorno próximo a 100% do CDI. O prefixado de longo prazo para garantir taxa em mais de 12% é opção bem interessante também. Acredito que essa taxa vai voltar a cair nos próximos meses para 8, 7, 6%. Já para curto prazo, o risco de a inflação passar a taxa do prefixado é maior. Então, acredito que o prefixado vale mais no longo prazo. Essa taxa em cerca de 13% é muito boa e atrativa, principalmente comparando com juros de outros países.”

Leandro Vasconcellos, CFP e sócio da BRA, lembra: “O aumento de juros é um remédio amargo, mas ele é sim adequado para a tentativa de controle da inflação. Isso porque, quando nós estamos numa escalada de preços muito acentuada, é preciso que você freie a velocidade do consumo. E uma das formas de fazer isso é aumentando o custo do dinheiro. Então, quando você aumenta os juros, o dinheiro fica caro – as empresas pegam empréstimos mais caros e reduzem também os próprios investimentos. As pessoas tendem a consumir menos e isso faz com que os preços acabem se estabilizando. Mas medidas adicionais também deveriam ser adotadas junto com o aumento das taxas de juros. Por exemplo, o governo poderia reduzir os próprios gastos. Quando o governo que é um grande consumidor também corta na própria carne e reduz os próprios gastos, ele tá contribuindo pra que a inflação pare de subir.”

Rafael Marques, CEO da Philos Invest, acrescenta: “Mesmo com os indicadores da última semana se deteriorando, o Banco Central mostra para o mercado que, de fato, a gente está chegando no fim do ciclo de alta, de taxa de juros aqui no Brasil. A grande dúvida que fica agora é se vamos ter a manutenção da taxa nesse patamar durante um bom tempo para frear os números de inflação.”

Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações de renda variável da Ação Brasil, comenta: “No Brasil, o Copom seguiu o mesmo caminho que o Fed nos EUA. Acredito que o comunicado veio bem dentro do esperado pelo mercado aumentando a taxa Selic em 0,50%. Como o comitê iniciou o processo de aperto monetário muito antes dos EUA, os ajustes a partir de agora serão mais pontuais. E foi nesse sentido o tom do comunicado, que já adiantou um aumento de mesma magnitude para a próxima reunião, mas já deixando claro que será um aumento igual ou menor que 0,5%. Apesar dos indicadores de inflação estarem surpreendendo negativamente, os próximos ajustes serão para além de conter a alta da inflação, manter o nível de desemprego controlado, e sem deprimir a atividade econômica, o chamado ‘Soft Landing’, (aterrisagem suave).”

Alves complementa: “O mais importante a observar é que o Copom deixou a porta aberta para novas altas mais ‘suaves’, não ignorando os riscos iminentes da inflação elevada. A forma assertiva de comunicação tanto do Copom como do Fed se dá justamente para tentar não gerar pânico nos mercados e também para não aumentar a percepção de risco que já circula, e que se não bem comunicada, poderia gerar um efeito manada, com a correção de preços dos ativos nos principais mercados.”

E conclui sobre a decisão do Copom: “Na minha opinião, é difícil imaginar que o problema da inflação seja resolvido no curto prazo e sem a geração de uma recessão nos próximos semestres. As medidas de altas de juros podem estar sendo “suaves”. Temos o custo do desemprego, atividade econômica deprimida, inflação galopante, o que pode levar a um período maior de reajustes.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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