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Alta da taxa Selic beneficia poupadores ricos, mas não ajuda os mais pobres

Investidores com aplicações mais sofisticadas lucram com juros , enquanto rendimento da poupança perde para a inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (15) mais um aumento na taxa básica de juros da economia brasileira. A chamada taxa Selic subiu 0,5 ponto percentual e chegou a 13,25% ao ano – maior patamar desde 2017.

A decisão visa conter a alta da inflação, mas tende a desestimular o crescimento da economia, que já é baixo há anos. Isso deve dificultar a geração de empregos e comprometer a renda do trabalhador.

:: Em dia de reunião do Copom, centrais sindicais protestam contra alta dos juros em frente ao BC ::

Apesar disso, para alguns poucos brasileiros, a elevação da Selic é uma boa notícia. Vai colaborar, inclusive, para que eles ganhem mais dinheiro, enquanto a população sofre com as consequências da decisão do Copom.

Estes brasileiros – a maioria deles ricos – têm recursos aplicados em fundos de investimentos, títulos de crédito bancário ou títulos da dívida pública. O rendimento desse tipo de aplicação é influenciado pela Selic. Por isso, tende a subir com a alta da taxa básica de juros.

Segundo pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), menos de 10% da população têm investimentos desse tipo, que renderão mais após a decisão do Copom.

A grande maioria dos brasileiros sequer tem dinheiro investido em bancos ou títulos. Eles representam 61% do total, segundo a Anbima.

Já 23% da população mantêm o que conseguiu guardar em cadernetas de poupança, justamente o tipo de investimento bancário que não ganha com a alta dos juros.

:: Economistas divergem sobre eficiência da taxa Selic como “remédio” para frear inflação ::

Perdendo para inflação

O rendimento das cadernetas de poupança é praticamente fixo: 0,5% ao mês ou 6,17% ao ano, mais correção pela chamada Taxa Referencial (TR), que chegou a 0,43% no acumulado dos últimos 12 meses.

Desde 2012, quando a taxa básica de juros cai para menos de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança também cai. Passa a ser de 70% da taxa Selic, mais a TR.

Acontece que, quando a Selic sobe acima de 8,5%, como agora, o rendimento da poupança não acompanha. Isso coloca um limite de ganho para aplicação da maior parte dos brasileiros.

Aprofunde-se: O Brasil e a escassez: o que os momentos históricos de carestia nos ensinam?

Sem acompanhar a Selic, a poupança acaba "perdendo" para a inflação quando os preços passam a subir muito. Em maio, por exemplo, a inflação anual no país chegou a 11,73%. Isso quer dizer que quem colocou dinheiro na poupança por um ano, "perdeu" cerca 5% do investido por conta da redução do poder de compra causado pela inflação.

Essa perda, porém, não acontece com quem aplica seu dinheiro num Certificado de Crédito Bancário, o chamado CDB. Essa aplicação tem rendimento bem próximo ao do percentual da taxa Selic. Seu ganho deve subir com a decisão do Copom.

"Para quem tem pouco dinheiro no Brasil, há um teto de quanto seu investimento pode render. Agora, para quem é bacana, tem um carrão e está cheio de dinheiro para aplicar, o gerente do banco estende um tapete vermelho e paga o dobro da poupança", criticou o ex-banqueiro Eduardo Moreira, em seu programa no YouTube nesta quarta.

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"Toda vez que o Copom joga a taxa de juros para cima, pessoas que têm dinheiro e aplicam esses recursos se beneficiam disso e ganham mais", complementou o economista Sergio Mendonça, ex-diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). "É um efeito imediato: eleva-se o patrimônio desses clientes."

Prejuízos ao resto

Mendonça ratificou que poupadores mais pobres, que geralmente aplicam na cadernetas de poupança, nada ganham com a alta da Selic. Lembrou que eles serão, inclusive, os maiores prejudicados com os juros.

Ele alertou que a elevação deve causar desemprego, o qual atinge primeiro os trabalhadores menos qualificados. Também deve elevar o custo dos crediários, dificultando compras e desacelerando a economia.

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Edição: Nicolau Soares

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