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Morre, aos 90 anos, o ator Sean Connery, o eterno James Bond

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Ator elegante e versátil, mas especialmente o primeiro e para muitos o "melhor James Bond de todos os tempos", o  escocês Sean Connery morreu aos 90 anos, o que provocou uma série de homenagens a um dos grandes nomes da história do cinema. Considerado há alguns anos o "homem mais sexy do mundo" pela revista People, o lendário ator britânico faleceu durante a noite, ao lado da família, em sua casa nas Bahamas. "Teremos uma cerimônia privada seguida de um memorial em uma data que será determinada após o fim da pandemia", anunciou a família. O astro, que se afastou do cinema em 2003, dividiu nos últimos anos sua vida entre as Bahamas, o sul da Espanha e os Estados Unidos.

O seu estado de saúde, no entanto, o impedia cada vez mais de viajar, inclusive quando a justiça espanhola tentou ouvi-lo em uma investigação por corrupção urbanística que envolvia uma de suas antigas propriedades na cidade andaluz de Marbella. "Ele não estava bem há algum tempo", afirmou o filho Jason Connery à BBC.

Sean Connery esteve presente em seis filmes do agente criado pelo britânico Ian Fleming -  o primeiro foi "007 Contra o Satânico Dr. No", em 1962.  Aqueles que, como Daniel Craig, seguiram seus passos na pele do 007 lideraram as homenagens ao astro. "Era um dos verdadeiros gigantes do cinema", afirmou Craig. O longa-metragem mais recente do agente secreto, "007 - Sem Tempo para Morrer", protagonizado por ele, deixa os fãs na expectativa após dois adiamentos devido à pandemia de coronavírus. A previsão de estreia agora é abril.

"A inteligência e o charme que que demonstrava na tela podiam ser medidos em megawatts", disse Craig. "Onde quer que esteja, espero que exista um campo de golfe", brincou, a respeito da paixão do escocês por este esporte. "Com certeza, Sean Connery como James Bond me inspirou pessoalmente, mas parece ter encapsulado mais, uma época, os 1960", afirmou outro de seus sucessores, George Lazenby, de 81 anos.

Sean Connery e Roger "foram amigos durante muitas décadas e Roger sempre afirmou que Sean era o melhor James Bond de todos os tempos", afirmou uma conta oficial mantida no Twitter em nome do ator Roger Moore, falecido em 2017, que também interpretou o famoso agente 007.

"Foi e ficará para sempre na memória como o James Bond original, cuja entrada indelével na história do cinema começou quando pronunciou as palavras inesquecíveis: 'Meu nome é Bond ... James Bond'", afirmaram os produtores da saga, Michael Wilson e Barbara Broccoli.  "Revolucionou o mundo com seu retrato engenhoso do sexy e carismático agente secreto", no seu caso com um marcante sotaque escocês. Os dois afirmaram que são "eternamente agradecidos" porque "ele sem dúvida é, em grande parte, responsável pelo sucesso da série de filmes". 

"Cresci idolatrando #SeanConnery", escreveu o ator australiano Hugh Jackman no Twitter, que chamou o escocês de "lenda tanto dentro como fora das telas". Em 2013, 10 anos após sua aposentadoria, ele foi escolhido o ator britânico preferido dos americanos.

Thomas Sean Connery nasceu em 25 de agosto de 1930 em uma família humilde da região de Edimburgo e lutou durante parte da vida para sair da pobreza. Ele deixou os estudos muito cedo e entrou para a Marinha aos 16 anos. Ao retornar à vida civil, ele trabalhou como professor de natação, pedreiro, caminhoneiro, entregador de carvão, guarda-costas e polidor de caixões. Também se dedicou ao fisiculturismo, terminando em terceiro lugar no concurso Mister Universo de 1950, antes de iniciar a carreira de ator, na qual marcou seu nome na história da sétima arte.

Ao longo de sua carreira, amealhou um Oscar, três Globo de Ouro e dois prêmios BAFTA. Atuou em filmes como "Caçada ao Outubro Vermelho", "Indiana Jones e a Última Cruzada", "Highlander", "Robin e Marian", e fez grande sucesso em "O Nome da Rosa" (1986), de Jean-Jacques Annaud, baseado no icônico romande do escritor italiano Umberto Eco. Nele, dividiu o set com Christian Slater. Interpretou o papel de Guglielmo de Baskerville. No ano seguinte, encarnava Jimmy Malone, na obra-prima de Brian de Palma, "Os Intocáveis", filme que, vale lembrar, tinha a trilha assinada pelo maestro italiano Ennio Morricone, também falecido recentemente. No elenco também constam os nomes de Robert de Niro e Andy Garcia, entre outros.

Não bastasse, atuou sob a regência de Alfred Hitchcock, em "Marnie" (1964), Connery havia deixado os sets há cerca de dez anos. Na verdade, sua última experiência no écran foi ter dado a voz ao protagonista do filme de animação "Sir Billi", do qual foi também produtor executivo.

Foi casado duas vezes, sendo a primeira, com a atriz australiana Diane Cilento (já falecida), mãe de seu único filho, o já citado Jason, também ator (e diretor e dublador), hoje com 57 anos. Tinha um neto, Dashiell Connery, 23, que atuou em 'Pandemic". Atualmente, Sean Connery estava casado com Micheline Roquebrune, artista plástica francesa, a quem conheceu no Marrocos. Uma curiosidade: Diane Cilento participou do filme "Com 007 Só se Vive Duas Vezes", de 1967. O casal ficou junto de 1962 a 1973. Ele se casou com Micheline em 1975. "Como ela não falava inglês e eu não falava francês, havia poucas chances de termos discussões estúpidas. Por isso nos casamos tão rapidamente", explicou Connery, com bom humor, certa vez.

Celeuma.  As informações estão logo ali,, ao alcance de todos, na Wikipédia. De acordo com as informações sobre a vida de Connery, ele emitiu, ao longo de sua trajetória, algumas opiniões bem polêmicas sobre sua relação com o sexo oposto. Em uma entrevista em 1965, aliás, Sean admitiu já ter batido em mulheres. “Não penso que haja nada particularmente errado em bater em uma mulher, embora eu recomende não o fazer da mesma forma que se faria com um homem. Um tapa aberto é justificável se todas as alternativas falharam e houve alertas suficientes”, disse. “Se uma mulher age como uma vaca, ou está histérica, ou irritante continuamente, então eu faria. Penso que um homem deve estar à frente das mulheres”. 

Vinte anos depois, ele sustentou esse pensamento em entrevista ao programa de Barbara Walters. “Não mudei minha opinião”, disse. “Não penso que é tão ruim, penso que depende inteiramente das circunstâncias, se há merecimento. Se você tentou tudo antes — e mulheres são muito boas nisso — e elas não querem deixar quieto e têm que dar a última palavra, então você dá a última palavra a elas. Mas se elas não ficam satisfeitas mesmo assim e querem levar o assunto de forma provocativa… Então, penso que é absolutamente correto”. Nesta época, sim, ele chegou a pedir desculpas, dada a repercussão. Mas nem todas as mulheres ficaram convencidas da sinceridade.

 

Esportes. Apaixonado por futebol, era torcedor fanático do Rangers. Também adorava jogar golfe. Em 2000, ele recebeu título de "sir" da rainha Elizabeth II. "Esse é um dos melhores dias de minha vida", declarou, na cerimônia. Na verdade, reza a lenda que sua defesa do projeto de independência de sua Escócia natal irritou alguns e, segundo especulações, adiou até o citado ano 2000 seu reconhecimento pela rainha Elizabeth II como Sir. "Nossa nação chora por um de seus filhos queridos", afirmou a primeira-ministra escocesa, a independentista Nicola Sturgeon. "Ele era uma lenda internacional, mas em primeiro lugar era um escocês patriota e orgulhoso".

"É impossível ter vivido os anos 60 e não ter lamentado, em certos momentos da vida, não ser Sean Connery", escreveu Christpher Bray em "Sean Connery: Uma Biografia", falando sobre este "ícone secular que não participa de filmes, mas sim que os filmes nascem em torno da ideia única de sua presença". 

A seguir uma parte de sua filmografia:

- 1956: "No Road Back", de Montgomery Tully.

- 1957: "A Brutal Aventura", de Terence Young, com Martine Carol.

- 1957: "Na Rota do Inferno", de Cy Enfield.

- 1957: "Vítima de uma Paixão" de Lewis Allen, com Lana Turner.

- 1959: "A Lenda dos Anões Mágicos", de Robert Stevenson.

- 1959: "A Maior Aventura de Tarzan", de John Guillermin.

- 1961: "Até o Último Gangster", de John Lemont.

- 1961: "Operação Conquista", de Cyril Frankel.

- 1962: "007 contra o Satânico Dr. No", de Terence Young, com Ursula Andress.

- 1962: "O Mais Longo dos Dias" de Ken Annakin, Andrew Morton e Bernhard Wicky com John Wayne, Robert Mitchum, Henry Fonda.

- 1963: "Moscou contra 007", de Terence Young.

- 1964: "A Mulher de Palha" de Basil Dearden, com Gina Lollobrigida.

- 1964: "Marnie" de Alfred Hitchcock, com Tippi Hedren.

- 1964: "007 contra Goldfinger" de Guy Hamilton, com Honor Blackman.

- 1965: "A Colina dos Homens Perdidos)" de Sidney Lumet.

- 1965: "007 contra a Chantagem Atômica)" de Terence Young, com Claudine Auger.

- 1966: "Sublime Loucura", de Irvin Kershner, com Joanne Woodward y Jean Seberg.

- 1967: "Com 007 Só Se Vive Duas Vezes" de Lewis Gilbert, com Donald Pleasence.

- 1968: "Shalako" de Edward Dmytryk, com Brigitte Bardot.

- 1969: "Ver-te-ei no Inferno", de Martin Ritt.

- 1969: "A Tenda Vermelha" de Mikhail Kalatosov, com Peter Finch e Claudia Cardinale

- 1971: "007 Os Diamantes são Eternos" de Guy Hamilton, com Jill St John.

- 1971: "O Golpe de John Anderson", de Sidney Lumet.

- 1972: "Até os Deuses Erram" de Sidney Lumet.

- 1973: "Zardoz" de John Boorman, com Charlotte Rampling.

- 1974: "Tensão no Aeroporto" de Casper Wrede.

- 1974: "Assassinato no Expresso Oriente" de Sidney Lumet com Albert Finney, Ingrid Bergman, Lauren Bacall.

- 1975: " Homem Que Queria Ser Rei" de John Huston, com Michael Caine.

- 1975: "O Vento e o Leão" de John Milius, com Candice Bergen.

- 1976: "Robin e Marian" de Richard Lester, com Audrey Hepburn e Robert Shaw.

- 1977: "Uma Ponte Longe Demais" de Richard Attenborough, con Dirk Bogarde, Michael Caine e Robert Redford.

- 1978: "O Primeiro Assalto de Trem" de Michael Crichton, com Donald Sutherland e Lesley Anne Down.

- 1979: "Meteoro" de Ronald Neame, com Natalie Wood e Karl Malden.

- 1981: "Os Bandidos do Tempo" de Terry Gilliam, com John Cleese.

- 1982: "O Homem com a Lente Mortal" de Richard Brooks, com Robert Conrad.

- 1982: "Cinco Dias Num Verão" de Fred Zinneman, com Lambert Wilson.

- 1983: "007 - Nunca Mais Outra Vez" de Irvin Kershner, com Kim Basinger e Barbara Carrera.

- 1984: "A Espada do Valente" de Stephen Weeks.

- 1985: "Highlander, o Guerreiro Imortal" de Russell Mulcahy, com Christophe Lambert.

- 1986: "O Nome da Rosa" de Jean Jacques Annaud, com Christian Slater e Michael Lonsdale.

- 1987: "Os Intocáveis" de Brian de Palma, com Kevin Costner e Robert de Niro.

- 1988: "Mais Forte Que o Ódio" de Peter Hyams, com Meg Ryan y Mark Harmon.

- 1989: "Indiana Jones e a Última cruzada" de Steven Spielberg, con Harrison Ford.

- 1989: "Negócios de Família" de Sidney Lumet, com Dustin Hoffman e Matthew Broderick.

- 1990: "A Caçada ao Outubro Vermelho" de John McTiernan, com Alec Baldwin e Scott Glenn.

- 1990: "A Casa da Rússia" de Fred Schepisi, com Michelle Pfeiffer e Roy Scheider.

- 1991: "Highlander II – A Ressurreição" de Russell Mulcahy, com Christophe Lambert.

- 1991: "Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões" de Kevin Reynolds, com Kevin Costner e Morgan Freeman.

- 1992: "O Curandeiro da Selva" de John McTiernan.

- 1993: "Sol Nascente" de Philip Kaufman, com Harvey Keitel e Wesley Snipes.

- 1994: "Jogos de Conexão" de Bruce Beresford.

- 1994: " Lancelot - O Primeiro Cavaleiro" de Jerry Zucker com Richard Gere e Julia Ormond.

- 1995: "A Rocha" de Michael Bay, com Nicholas Cage e Ed Harris.

- 1998: "Os Vingadores" de Jeremiah Chechik, com Ralph Fiennes e Uma Thurman.

- 1999: "Armadilha" de Jon Amiel, com Catehrine Zeta Jones.

- 1999: "Corações Apaixonados" de Willard Carroll com Gena Rowlands e Dennis Quaid.

- 2000: "Encontrando Forrester" de Gus van Sant.

- 2003: "A Liga Extraordinária" de Stephen Norrington.

      

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