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'Não faz o menor sentido', diz produtor Marcelo Froes, investigado sobre suposto material inédito de Renato Russo

Pesquisador musical, que teve casa revirada após denúncia de filho do ex-vocalista da Legião Urbana, foi consultor jurídico da família do músico, e contratado por ela e por membros da banda para organizar arquivo

Renato morreria menos de um mês depois do lançamento do álbum. Foi planejado como um disco duplo, mas a gravadora não topou. 'A via láctea', com sua letra melancólica, e 'Dezesseis' se tornaram sucessos no rádio. O disco traz a versão da Legião para '1º de julho', composta por Renato para Cássia Eller e só.

O último álbum da Legião reúne sobras do anterior, planejado para ser um disco duplo. Lançado nove meses após a morte de Renato, é o menos vendido e não deixou canções memoráveis, nem mesmo o single 'As flores do mal'. Três são da época do Trovador Solitário: 'Dado Viciado' (sobre um primo de Renato), 'Marcianos invadem a Terra' e 'Mariane'.

De onde veio esse relatório?

Há 20 anos, fui contratado pela família do Renato para fazer um levantamento de tudo o que ele tinha, e depois, como a gravadora e os próprios rapazes da Legião mostraram interesse nesse levantamento, a EMI também me contratou para o serviço. Em 2002, eu entreguei um relatório com tudo o que tinha sido achado na gravadora e no material que a família do Renato, o Dado (Villa-Lobos, guitarrista), o (baterista Marcelo) Bonfá e o Rafael (Borges, ex-empresário da Legião) tinham em suas casas e me passaram. Eles receberam tudo de volta, digitalizado, e cada um dos envolvidos recebeu uma cópia do relatório, para ter como referência. Dona Carminha (mãe de Renato), Seu Renato (pai do cantor), todos receberam.

E por que, ainda assim, você acha que a polícia foi bater em sua porta?

Por eu ter tido essa ligação com o Renato e ter feito esse trabalho, sempre fui muito procurado pelos fãs da Legião em redes sociais para bater papo. Conversei uma época com uma menina, a Ana Paula, que depois de um tempo eu descobri que não era uma menina, mas o cara do Arquivo Legião (Josivaldo Bezerra da Cruz Junior, que administra a página de fãs no Facebook, e que teve sua casa revistada pela polícia no ano passado, acusado por Giuliano de ter se apropriado de obras inéditas de Renato). Entrei de gaiato, devem ter achado uma dessas conversas e vieram bater aqui, fui surpreendido por um delegado querendo saber se eu tinha coisas da Legião Urbana, que começou a revirar a casa. Ele ensacou meus HDs e o meu computador, pegou o meu celular e levou tudo. Estão me prejudicando por algo que não faz o menor sentido.

O pesquisador musical e produtor Marcelo Froes Foto: Monica Imbuzeiro / Agência O Globo
O pesquisador musical e produtor Marcelo Froes Foto: Monica Imbuzeiro / Agência O Globo

E o que você fez?

Mostrei cópias dos meus contratos com a EMI e com a Legião Urbana, provando que tudo foi autorizado. O Giuliano foi, inclusive, ao lançamento do CD “Trovador solitário” no Rio de Janeiro. Mostrei para o delegado que o meu envolvimento era profissional, nunca recebi uma notificação na vida, nunca fui processado. Eu quero meu material de volta, preciso trabalhar, nos meus computadores está o back up de tudo o que eu faço. Gravações de Ivan Lins, Quarteto em Cy, MPB4... minha vida está toda lá.

Nos anos 2000, você foi representante jurídico da família do Renato, certo?

Sim, ela era muito procurada pela gravadora para assinar autorizações. E isso acontecia em última instância. Quando o produto estava pronto para ir para a fábrica, chegava um papel para o Seu Renato assinar. Isso aborrecia ele, porque ele não sabia do que se tratava. Eu, por outro lado, achava que eles deveriam ter sido consultados no início do projeto, como os rapazes da banda e não simplesmente com o projeto pronto.

E desde 2010 você não fala com Giuliano, não é?

Todo mundo que estava cuidando das coisas do Renato foi afastado porque o Giuliano chegou à maturidade e resolveu tomar conta ele mesmo. Ele nunca me procurou, nunca demonstrou interesse em saber o que eu sabia. Infelizmente, ele virou as costas para todo mundo. Eu sempre fui aliado, sempre tentei ajudar. É uma pena, porque tem muita coisa inédita para editar. Mas tudo isso não está na minha casa, está no arquivo da EMI. 

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